As pessoas não insistem mais

Querido amigo,

Quanto tempo!
Anos que lhe conheço e, mesmo assim, sinto a nostalgia contagiante de vir lhe falar como eu ando. É como rever um grande amigo a tempo e, mesmo após todos os meses, não se deixar enfraquecer a amizade. É poder confiar e ser sincero, sem esperar julgamento.

Acha meio egoísta eu te escrever só quando preciso desabafar? Eu precisando e sei que posso contar contigo.

A longos meses eu não sei o que me apaixonar. A longos anos eu não sei o que é amar. Porém a minutos eu sei como é sofrer por alguém que você gosta.

Não cheguei a lhe contar, porém houve um incidente sentimental com um "amigo" de faculdade e eu acabei me magoando muito. E como bom aquariano, voltei a me fechar para novas emoções. Até Ele chegar...

Sou muito pé no chão. Não me apaixono fácil, não me entrego fácil. E eu vivo muito bem com isso. É como uma autodefesa, para me proteger de adversidades e me manter firme.

...Mas, uma madrugada aleatória, ele me chamou no Facebook. Nunca havíamos parado para conversarmos, embora nos conhecemos desde criança. Ele é sociável, inteligente, bonito. Nem sabia que ele me conhecia, ou ao menos quisesse conversar comigo, haja visto seu nível de popularidade.
A conversa fluiu. Trocamos whatsapp. Ficamos interessados um no outro. Marcamos de sair já no outro dia e, confesso, foi o melhor fica da minha vida. Como se tudo tivesse encaixado.
As conversas intensas continuaram. Convites para novas saídas surgiram. Até ele dizer que está apaixonado e o aquariano aqui finalmente abrir a porta do seu coração e permitir que o vento sopre. Disse que também estava apaixonado. Esperei que nossas declarações e desejos fossem desdobrar-se na ilusão da pessoa certa. E até foi, por momentos.

Logo menos as conversas foram diminuindo. Eu tinha que insistir muito para conseguir uma saída. Não estava mais sendo algo de ambas as partes. Eu tinha que insisti.

No aniversário Dele, chamei-o para ir à praia. Depois de muito insiste para ter um espaço na agenda, foi tudo marcado. Porem horas antes, Ele pediu para uma amiga ir junto. "Ok", digo eu. Minutos depois ele diz que não está afim de ir mais para a praia e pedi pra ir pra um espetinho. Retruquei, mas no final concordei, pedindo pra ir ao menos à um restaurante perto jantar. Com mal gosto foi concordando. Mas sabe quando você espera que a noite seja especial, incrível, mas nota que não é nada disso? Fui castrado. Nem um beijo. Alias, teve um selinho, na volta pra casa. Mas pensei que tinha sido basicamente por pena.

Resolvi não insistir mais. Deixar pra lá - embora sempre na esperança de receber um chamado. Na expectativa de ser solicitado. Dizer que estava com saudade. Horas se passaram, dias se passaram, semanas se passaram.



Já estava começando a aceitar, até que veio o famigerado "oiii". Não sei se ficava feliz com a lembrança ou triste com a lembrança tardia. Preferi ficar cético. Precisava dar um fim  naquilo. Na verdade, precisava de um ponto final.

Insisti no ponto final, até que, entre todas as tentativas dele de me ignorar, cedeu e falou a verdade.
A verdade doeu... mas eu já esperava. Como diz A Culpa É Das Estrelas, "a dor precisa ser sentida".
A verdade era que ele já não gostava mais de mim. A dita "paixão", fora palavra solta, dada a momento de agitação hormonal.

O meu desejo ilusório de ter encontrar alguém, foi castrado pelo 'carinha do curso de letras-espanhol'.
Parece cômico, mas é verdade. Estou rindo internamente agora, mas sei que é de constrangimento.

A verdade, querido amigo, é que ele não estava mais "afim de mim", ele estava gostando d'outro. Gostando de outra pessoa da faculdade. E preferiu me ignorar, preferiu me deixar no ócio, me deixar esperar. Me deixar sofrer pela solidão, me deixar vivendo restrito as minhas expectativas e dúvidas. Preferiu meu deixar ao ser sincero.

Sua justificativa foi bem sucinta "não queria ficar com você pensando em outro". As a indignação que fica é "por que não foi falar comigo, ser sincero, como havíamos prometido diversas vezes?" Eu havia pedido a ele. Eu perguntei se estávamos bem. Eu perguntei o por que de tamanha estranheza e distância. Mas estava sempre "tudo bem". Mas não estavam! Erem mentiras, omissões. Isso magoa, querido amigo... Como magoa.

Mas eu tinha que aceitar. Ao menos ele conseguiu falar a verdade apesar de tudo. Aceitei. Mas não antes de falar tudo que ficou preso. Tudo que eu sempre quis falar. Tudo que eu descobri e precisei falar. Aliviar o peito. Falei.

...

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